dedicação pela vida

Palhaço não, Doutor Palhaço!

Já parou para pensar como nascem os palhaços? Será que ao invés de chorar, eles nascem dando gargalhadas? Para tentar descobrir de onde eles vêm, você tem que subir escadas, virar à direita em um corredor, andar um pouquinho e subir outro lance de escadas. Aí, você vai encontrar duas portas e escolher em qual entrar. De preferência, vá naquela de onde vêm as risadas, né?! Não tem erro: é a sala de treinamento dos novos palhaços, aliás, doutores palhaços! Todos da Abrace.

São 19 voluntários que se candidataram para se tornarem médicos palhaços e, para isso, passam por um curso de 9 módulos. Eles formarão o grupo Doutores com Riso e vão alegrar o dia a dia das crianças internadas e das que passam pela Unidade de Tratamento Endovenosa do Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB). Esta é a primeira vez que a Abrace está oferecendo essa formação. Hoje, o hospital conta com a ajuda semanal da dupla Dr. Ultra e Dr. Serelepe, os médicos palhaços que tiram os pacientes do sério, literalmente!

Doutores

"Uma vez a gente foi a um quarto e a menina estava toda coberta por um lençol. Nós não sabíamos o que ela tinha. Quando a gente começou a falar, ela não parava de rir. O pai ficou como que encantando ao ver o sorriso da filha e quando acabamos o show, ele nos encontrou do lado de fora e disse: 'Havia 60 dias que minha filha não sorria. Muito obrigado pelo que vocês fizeram hoje'. Naquela hora eu tive que pedir licença porque tinha caído um cisco no meu olho", conta o Dr. Ultra.

Na certidão de nascimento, o Dr. Ultra foi registrado como Rômulo Santos Rodrigues Alves e hoje ele tem 39 anos. Trabalha como correspondente bancário, mas se identifica mesmo com o palhaço que descobriu dentro si desde 1999. Ele até tatuou o Dr. Ultra no braço direito e aponta, orgulhoso, dizendo: "esse aqui sou eu". Ele trabalha ao lado do Dr. Serelepe, que, na verdade, é o 2º Tenente do Exército, Carlos Leal, de 45 anos.

O Dr. Serelepe nasceu em 2001, quando conheceu o Dr. Ultra ainda no Hospital de Apoio. E de onde ele surgiu? "Do coração voluntário. Não há nada mais forte do que um coração voluntário", explica. Eles explicam que para ser um bom médico palhaço, não basta ter um nariz vermelho e fazer uma boa maquiagem. É preciso antes de tudo "querer ser". A partir daí é possível ir-se lapidando e buscando um pouco de felicidade: "Só que não me bastava a felicidade por ela mesma, eu tinha que levar essa felicidade para os outros", esclarece o Dr. Ultra.

Esse também é o objetivo do Marcos Araújo, 50 anos, futuro Dr. Dundúnio. Ele é bancário e um dos alunos-palhaços. Já foi voluntário em outros hospitais e na Abrace e estava procurando algo que o preenchesse e o fizesse, ao mesmo tempo, sair da caixinha. "Já tinha procurado o curso de médico palhaço antes, mas ainda não o tinha encontrado. Agora vai", conta animado. Ao lado dele, estava o veterinário Gabriel Barretto, 31 anos, que já é voluntário da Abrace e agora quer descobrir o seu "eu-palhaço" com um único objetivo: "Fazer o bem sem olhar a quem", revela.

Para a presidente da Abrace, Ilda Peliz, a participação dos palhaços no tratamento dos pacientes é muito importante para a humanização do atendimento: “Fazer uma criança que está com dor sorrir é uma arte. É uma pílula, um remédio maravilhoso”.

atividades

Na turma de aluno-palhaços tem ainda algumas estudantes, uma dona de casa, um chefe de segurança, um técnico de informática, uma atriz e até uma estudante de medicina, a Bruna Feitosa, de 20 anos. "Estou no 4º período de medicina e vejo que os próprios médicos criam uma barreira frente ao paciente como forma de se proteger, para não levar aquela carga toda com ele, mas acredito no lado mais humano do profissional e estou vendo florescer de novo meu lado feliz e brincalhão aqui no curso", diz ela.

alunos 2

O resultado que eles buscam com esse trabalho é um só e quem explica é o Dr. Ultra: "A criança muda quando vê um palhaço. Ela está sentada na cama e pelo vidro vê passar o enfermeiro, o faxineiro, o médico, a família e, de repente, passa um palhaço ela para e olha com mais atenção. E ainda pensa: será que esse remédio está me deixando meio tonta? Mas olha de novo, vê o palhaço e se transforma". Por isso que eles costumam dizer: "Nós não somos apenas palhaços, mais respeito, rapaz. Somos Doutores Palhaços!"

turma

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