dedicação pela vida

Pode voltar ao lar

O Programa Moradia transforma as casas dos assistidos para que fiquem adequadas ao processo de recuperação durante o tratamento contra o câncer ou hemopatias

A alta no hospital é um momento muito esperado pelos assistidos que enfrentam o câncer. Voltar para casa depois de tanta luta é um grande sonho, mas muitas vezes o lar doce lar pode apresentar dificuldades que prejudicam a recuperação das crianças.

O Programa Moradia atua quando a condição da residência do assistido compromete o tratamento, tornando-se assim um risco para a recuperação. Durante a visita periódica feita pelas assistentes sociais da Abrace são avaliadas as necessidades dos assistidos, uma delas pode ser a reforma total ou pontual na casa. O objetivo é contribuir para qualidade de vida e saúde oferecendo um ambiente saudável que colabore positivamente no processo de tratamento e expectativa de vida.

Os problemas mais comuns costumam ser o excesso de mofo, a falta de revestimento, poeira e pavimentação de pisos. Mas há casos extremos em que a casa precisa ser completamente reformada, os profissionais precisam rever a parte hidráulica – por conta de esgotos a céu aberto – ou elétrica, além de tornar o imóvel mais acessível para o próprio assistido (a).

Para a presidente da Abrace, Maria Angela Marini, o maior benefício que o programa proporciona é a ação positiva sobre as condições físicas e emocionais do paciente. “Ele passa a ter mais qualidade de vida, pela satisfação de viver bem em seu próprio habitat, podendo ter melhor convivência com seus familiares e amigos, num ambiente saudável”, explica.

A presidente ressalta que o Programa Moradia não seria possível sem os parceiros. “Esse programa só foi possível ser implementado graças às parcerias com empresas ou organizações que o tem financiado. Sem essa contribuição, e também a de doadores, não seria possível realiza-lo. A todos a Abrace é muito agradecida”, afirma.

A quem o Programa Moradia já ajudou?

De 2015 até hoje já foram realizadas oito reformas. Em maio de 2015, Mivaldo Ribeiro Gomes, de Samambaia, teve o lar reformado. O jovem atualmente com 19 anos foi diagnosticado com Linfoma de não Hodgkin, um tipo de câncer que se origina nos gânglios. Quando teve alta do hospital, a imunidade do menino estava muito baixa. Dormir com o irmão em um quarto escuro e com infiltrações poderia prejudicar sua recuperação. Por isso, o Programa Moradia construiu um novo cômodo, mais adequado para Mivaldo. Além disso, a residência do garoto recebeu geladeira, fogão, jogo de sofá, mesa com cadeiras, raque, televisão, guarda-roupas, cama de casal para a mãe e camas de solteiro para os dois filhos.

No mesmo ano, a casa de Sindy Leonarda, 15, diagnosticada com astrocitoma, também entrou no programa. O mofo no telhado, em conjunto com outras precariedades da construção pediam uma grande reforma. As portas, janelas e as telhas foram trocadas. O piso foi substituído, as paredes ganharam novas cores. O pai da menina, Sidney dos Reis Pereira, lembra que foi uma corrente de solidariedade. "Fizemos um mutirão para fazer tudo. A Abrace deu [por meio de parcerias e doações] o material. Cerca de 12 pessoas, contando com o pedreiro e familiares, arregaçaram as mangas", explica.

No ano seguinte, em janeiro, foi a vez de Gutemberg Moreira de Assis receber uma reforma na casa, em Samambaia. Após enfrentar um tumor renal, o pequeno, de 3 anos, voltou para casa onde morava com a mãe, o avô e o irmão. Mas a pouca infraestrutura, como a falta de janelas de vidro na sala, que permitia a entrada de vento frio, estava prejudicando a recuperação da criança.

Como a mãe, Nair Moreira da Silva, não tinha condições para fazer uma reforma na residência, as arquitetas Alessandra Bettencourt e Luciene Miranda se sensibilizaram, doaram material para a obra e acompanharam de perto a construção. A casa recebeu revestimento, pintura e novos móveis. No mês seguinte, ainda em 2016, a casa de Adriel dos Santos, na Fercal, passou por uma mudança para receber o menino diagnosticado com a doença hematológica púrpura. A Abrace forneceu todo o material para instalação de piso, janela, reboco, pintura telha, reforma do banheiro, entre outros.

Em outubro do mesmo ano, Bernardo Costa, que vive no Varjão ganhou uma casa nova. O pequeno, que hoje tem três anos, foi diagnosticado com anemia falciforme quando nasceu. A mãe, Francisca Chagas, lembra da dificuldade. “Eu morava com o Bernardo e o meu filho mais velho Miguel, de 6 anos, em um barraco no fundo de um lote. Era apertado e as crianças dormiam comigo”. Para Francisca, a construção da casa foi muito importante para a recuperação do filho. “Agora ele tem o quartinho dele, não tem mais crises de alergia. A gente tem outra vida agora”, diz.

Dando continuidade ao programa, a próxima casa a ser transformada foi a de Lourimar do Santo Antônio do Descoberto. O menino passou por um Transplante de Médula óssea (TMO) e se voltasse para o quarto, com as paredes mofadas estaria colocando em risco a sua saúde. O Programa Moradia atuou no acabamento das paredes, na pintura, na instalação de um forro de PVC no teto. Além disso, o quarto foi ampliado e a casa ganhou um banheiro novo. "Meu filho não podia voltar do jeito que a casa estava e eu não tinha condições financeiras para reformar. Não sei nem o que eu faria sem a Abrace", conta a mãe, Flávia Maria Ferreira.

Em fevereiro de 2018, foi a vez da casa do Carlos Eduardo Fortes, em Samambaia, ser reconstruída. Quando foi diagnosticado com Linfoma Burkitt, ele e a mãe Rose Mary Fortes foram morar na Casa de Apoio da Abrace. Após cerca de oito meses dividindo o teto com outros assistidos, a instituição conseguiu mobilizar parceiros para beneficiar Carlos Eduardo no Programa Moradia. A residência do menino recebeu instalação na rede elétrica, revestimento, novos pisos, houve a troca de tanques impregnados de mofo, buscou-se também tornar a área externa lavável e impermeável, entre outros.

 

Ainda sobre o programa...

A maior parte da ajuda é com reformas, mas o Programa Moradia também realiza orçamentos e repassa verba para resolver problemas pontuais nas casas. Para receber o benefício a criança deve ser assistida da Abrace e o terreno deve estar com a documentação em dia.  

A Abrace ainda oferece alojamentos na Casa de Apoio para crianças que não residem no DF e apoio logístico domiciliar para os pacientes em cuidados paliativos.

 

Texto: Geovanna Gravia

by acls us
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